sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Verdadeiro Espírito do Natal

Usei isso como foto do perfil no facebook neste último Natal... não é demais? Por trás desse raciocínio estão as maiores barbaridades e bobeiras humanas... jóias e roupas para conquistar as mulheres, brinquedos que tornam crianças em mini adultos... carros caros, grandes, maiores, mais caros, mais novos, ressexualizando os homens... presentear é bom, ganhar presentes é ótimo. Mas a obrigação da troca amor dinheiro <> MAIS dinheiro, Mais amor, é vil. É pequena, diminui os homens e mulheres às condições de produtores e consumidores, reduz o afeto ao suprimento de carências na forma de coisas, é tudo o que vemos nos filmes de natal, a grande dúvida, o papai noel existe ou não, o espírito natalino existe ou não? Devemos ser crédulos em um mundo melhor ou devemos meter a faca por trás para servir de degrau para subirmos e pisarmos na cabeça? Estou sendo muito rude? A Rudeza é uma franqueza que não nos convém...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quem são as Meninas Más do Disney Channel?


Muitas vezes eu duvidei da sanidade mental desses autores de filmes e séries infantis, com seus eternos conflitos de populares x nerds, bonitos x feios, etc. Sempre achei absurdamente maniquieísta, exagerado. A menina má, que quer ser a mais popular, que se move somente por esse motivo, que passa por tudo e todos para chegar onde quer. Você, ser humano razoável, brasileiro, acha que é coisa de norte- americanos... Mas no filme repara que os pais do herói, normalmente um nerd ou alguém "normal" porém menos preocupado com popularidade, são também pessoas quase "normais", desencanadas... O que os filminhos não contam direito é que, no futuro, quem se dará melhor na vida será o obstinado, o obcecado pelos seus objetivos. Os razoáveis são moderados demais para o padrão de ganhos que o mercado exige. E, da mesma forma, existem sim, crianças extremamente competitivas e com padrões éticos bem diferentes dos seus, estudando na mesma escola de seus filhos. Essas crianças podem ser filhas e filhos de mães e pais competitivos ao extremo, dotados de padrões éticos bem diferentes dos seus. Por mais filmes que o Disney Channel passe sobre o tema, o intuito é preservar esse conflito. O mocinho do filme não fica tranquilo, na sua. Ao invés disso, ganha mais popularidade que o obstinado, ele se dá bem em detrimento do outro. O Filminho ensina uma moral, mas não a moral da paz, e sim a da guerra, alguém precisa perder para que outro ganhe.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Papéis Pequenos para quem transpira...


A publicidade sabe ser má. Não por estimular o consumo, pois é sua função, mas sim pelos recursos de que lança mão para atingir seus objetivos. A campanha do desodorante Rexona (transpiramos pelas mesmas coisas), que tem como protagonista a atriz Camila Pitanga, me parece apelar para certa caricatura de mulher. Destruir a casa para achar um brinco faz da mulher um ser extremado, passional até a burrice. Em outro vídeo mais recente, a mesma atriz diz que, quando "transpirava demais", só recebia "papéis curtos". Me pergunto se não é uma amarga verdade, "transpiramos pelas mesmas coisas", mas devemos nos controlar para receber "papéis mais longos", como um bom trabalho ou um namoro duradouro.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Juntos?


É inevitável, nesta época de Natal, passear na Paulista e admirar as decorações. É um passeio que fazemos todos os anos, em especial minha mãe e minha filha, que vão juntas admirar as decoraç Domingo fomos à Paulista, e qual não foi nossa surpresa ao reparar na agência do Santander-Real completamente apagada. Achei muito estranho, pois o Santander já participa com a SPtur de diversas decorações de Natal em em São Paulo. Fui atrás e descobri que, em 2009, após a aquisição do Banco Real, o Santander vendeu o edifício da Av. Paulista. Mesmo assim, imagino o quanto custou convencer todos os clientes do Real de que o Santander seria uma continuidade, e de repente um marketing tão simples e tão importante quanto uma decoração de Natal, tão cheia de simbolismos e significados otimistas em relação ao futuro, enfraquecem uma campanha milionária como a do "Juntos".

sábado, 4 de dezembro de 2010

Customer Experience Management


O Boteco do seu Jeremias vai entrar em reforma. O seu filho Tobias, estudado e com atuação em diversas empresas de produtos de consumo, aconselhou o pai a promover mudanças. Segundo Tobias, não bastava mais os clientes irem ao bar do seu Jeremias, beber cerveja e comer torresmo. O consumidor tinha que viver uma experiência única, prime, personalité. Costumer Experience era tudo o que o bar precisava fazer para atrair os novos moradores endinheirados da vila piriuna, ex-favela e ex-pântano que agora estava repleto de arranha-céus, ou "torres", como se dizia agora, com apartamentos que eram um misto de clube e moradia. Apartamentos que propiciavam customer experience.

Para o bar do seu Jeremias se adequar, Tobias tinha contratado um arquiteto, que planejara modificações totais no ambiente: No lugar do balcão de inox, um belo balcão de madeira, como os pubs londrinos. A Cafeteira de filtro de pano daria lugar ao modelo Newspresso franchising, ideal para bares da moda, com suas cápsulas de titnânio recicláveis pela própria Newspresso; O bar substituiria os velhos azulejos brancos amarelados por azulejos brancos vintage, que davam a clara impressão ao cliente de ter sido levado a um boteco do início do século XX. Seu Jeremias protestou um pouco com relação a essas alterações, pois alegava que seus velhos azulejos estavam em bom estado e eram de fato do início do século XX. Seu Jeremias também não se conformou com a perda da cafeteira de filtro, pois o custo do café da Newspresso era absurdamente superior. Tobias o tranquilizou, dizendo que sabia o que estava fazendo.

No dia da inauguração, pessoas do bairro todo vieram, o bar ficou lotado, meninas de minissaia com a camiseta de uma cervejaria famosa circulavam oferecendo degustação de sua nova cerveja antirressaca, que na fórmula já vinha com engov, eno e losna. Todos estavam felizes, menos seu Jeremias. Ele descobriu que não poderia manter os velhos funcionários do Bar, pois seu filho havia contratado uma equipe com chefs, subchefs, maitres, connoisseurs, concierges e garçonetes de pouca roupa. Também não poderia mais entrar na cozinha para fazer um dos pratos do dia que ele mais sabia fazer, a Rabada com Agrião de toda 3a feira. Por último, o que mais doeu ao velho dono de bar foi ter que dizer ao pessoal da roda de samba que não haveria mais lugar pra eles, que o bar agora era chique. Seu Jeremias, porém, prometeu que conseguiria dar um jeito de eles se reunirem em seu bar de novo, o que eles aceitaram sem acreditar muito.

O Bar Reformado do seu Jeremias durou um ano e fechou. Não por falta de competência do pessoal contratado, nem pelo equipamento renovado, nem nada. Apenas porque, na rua de trás do bar do seu Jeremias abriram um boteco tradicional, com comida de boteco tradicional, onde a velha roda de samba aparecia aos finais de semana para encher de alegria a vizinhança - inclusive muitos dos endinheirados novos moradores da Vila Piriuna, que desciam de suas torres para degustar a maravilhosa Rabada com Agrião que lá era servida todos os dias, além de outras iguarias. Era o novo bar velho do Seu Jeremias. Ele havia comprado o bar do seu Antônio, que se aposentara e não tinha filhos, e deixara o bar antigo para o Tobias brincar de patrão. Tobias errou não em querer criar uma Consumer Experience, mas sim em não aproveitar a experiência de seu pai em um negócio que ele dominava, e em não descobrir (pelo contrário, supor que sabia!), qual Experience seus Customers queriam viver.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

E-Mail Marketing Acertando em Cheio


Será que o e-mail marketing não aberto contém mesmo uma mensagem? Ou, a exemplo de uma pedra à beira de um penhasco, ele possui uma comunicação potencial mas não cinética? A palavra não dita é mera intenção, e das boas o inferno está cheio. O e-mail marketing não lido é comunicação perdida. Medir um e-mail marketing implica em saber quantos atingiram o alvo ou não, mas entende-se por alvo a caixa de entrada, e não o usuário leitor. Um sistema de webmails que permitisse propagandas inteligentes poderia ser a saída para o que hoje é apenas sorte, aumentando assim o grau de acerto na comunicação com o cliente. Ainda não inventaram, mas fica aqui a ideia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Do Mesmo Saco

imagem: Folha de São Paulo
Brigando com amigos, ou mesmo apenas discutindo bairristicamente, a verdade que se apresenta é a mesma: Os partidos que disputam a presidência da república em 2010, e os partidos que vêm em sua cola na forma de coligações, são os mesmos. O Espírito do brasileiro que vota por favores ainda predomina. O Espírito dos candidatos que se oferecem às urnas é o de pretendentes a um emprego assalariado com 4 anos de duração ou mais. A vergonha de nos vangloriarmos de um óbvio ululante como o ficha limpa é muito triste - como se não fosse o mínimo exigir que um suspeito, que está sendo investigado, se mantivesse afastado dos processos eleitorais, coisa que o nosso ficha limpa ainda não conseguiu.
Quem quer que leve a disputa no domingo que vem dará continuidade aos projetos do governo Lula. Quem quer que assuma em 01/01/2011 fará os próximos quatro anos serem emenda natural dos últimos oito, nas alegrias e tristezas, nos acertos e corrupções. No máximo, veremos alteração no dono da bola, em uma partida onde todos poderão jogar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Rainha do Baile de Formatura


Somos, nós brasileiros, compulsivos importadores de cultura. De massas. Não em refiro aos "enlatados" americanos, termo que fazia alusão às latas usadas para guardar os rolos de filmes destinados à projeção em cinemas, mas que remetia pejorativamente aos enlatados de supermercados. Também não estou falando da cultura corporativa, com seus jargões quase todos em inglês (vide post anterior, Business Bingo Generator). Falo de nossas crianças. Quem não quer ter crianças como consumidores fiéis de seus produtos? Que delícia saber que uma mulher de 40 anos se consola por ser abandonada pelo namorado com a mesma marca de sorvete que seu pai deu para ela após sua operação de amídalas... As crianças são o futuro, vamos acompanhar sua trajetória, adequando produtos conforme os baixinhos vão crescendo... se seu filho não quer mais levar Chocolate de caixinha de lanche, vamos comprar para ele o maxi chocoo radical, com a foto de um garoto e seu skate maneiríssimo em uma garrafa que custa o quadruplo da outra embalagem, e com um produto com gosto de tudo, menos de leite com chocolate...
Assim vamos aprendendo com as propagandas, filmes, séries... aprendemos piadas, cinísmo e que garotas de 12 anos já são mocinhas que se apaixonam uma vez por dia. Aprendemos que sempre existirá uma Rainha do Baile de Formatura, uma garota pop que se esforça dia e noite para ser o centro das atenções, apoiada pelos pais, professores e pelas "melhores amigas", e que seu objetivo último na vida é se sentir superior às demais. Os garotos, por sua vez, descobrirão que seu cacoete de timidez virará charme, que contar piadas faz as meninas rirem, que todos gostam de um cara "safo", "esperto", mesmo que isso lhe custe um ano letivo ou algumas repreendas. Esse cara não é o rebelde, não é o marginal, ele é o padrão. Essa menina não tem problemas de exibicionismo e insegurança, ela simplesmente está desempenhando o papel esperado por sua família. O Resto, com "R", é isso mesmo, aqueles que não fizeram tanto sucesso, não marcaram mais presença, se referem a si mesmos como "menos do que". Amanhã, enquanto os "safos" atropelam motoboys, suas esposas buscam admiradores que as façam sentir como da primeira vez, a emoção prometida pelo esforço repetitivo, além da tendinite. Não sei se fui claro, duvido na verdade, prometo melhorar na próxima. Stay tuned and stay clear!

domingo, 12 de setembro de 2010

Business Bingo Generator

Eu já recebi esse e-mail várias vezes... e sempre me diverti com a ideia de anotar os jargões corporativos enquanto eram proferidos... mas agora, a evoulção: Um site gerador de cartelas ... Supimpa!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lado A Disco 2

Havia um programa na MTV da década de 90 chamado "Lado B", comandado pelo conhecedor Fábio Massari, cujo assunto eram músicas menos conhecidas dos álbuns lançados. Falo dos álbuns de vinil, os Long Plays ou Bolachas que, diferentemente dos cds, tinham dois lados. Via de regra, as músicas mais comerciais estavam do "Lado A" dos LPs. Massari garimpava faixas menos óbvias, e sempre apresentava coisas muito boas, muitas vezes de bandas aparentemente óbvias.
Bem, como isto aqui é um blog de consumo, e como sou um consumidor de certa idade, digo que sinto saudades de virar o disco. Não me entendam mal, adoro meus mp3, acho que o futuro é digital, mas se a analogia de "virar o disco" foi morta pelo cd, o mp3 jogou a ideia de "obra" com começo, meio e fim de uma "coleção" de músicas e fragmentou. E eu gostava muito de curtir um álbum inteiro, ou suas metades. Por exemplo, The Wall, do Pink Floyd. Amo a obra, tanto sonora quanto o filme, quanto o encarte, quanto as letras desesperadamente escritas e os desenhos lisérgicos. Mas, o que me toca no álbum, originalmente duplo, é o Lado A do Disco 2... Iphones e mp3 players podem ter tornado todas as obras musicais da humanidade abertas a qualquer um que queira criar sua própria sequência. Mas poderiam vir com um botão "author´s preferred sequence" ou coisa que o valesse...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Roubando no Peso


Antigamente o quitandeiro desonesto era aquele que roubava no peso. Ok, caro jovem leitor, quitanda era uma vendinha que tinha verduras, frutas, grãos, e, se bobear, servia café, bebidas alcoólicas e lanches. Com o advento da globalização, os supermercados menores foram absorvidos pelos maiores, e o quitandeiro foi fazer outra coisa da vida.
No entanto, ainda existe um monte de gente que "rouba no peso", de maneiras sutis. Por exemplo, o papel higiênico. Há 10 anos atrás, o tamanho padrão de um rolo era 50 metros. Daí, um grupo de produtores de papel "tissue" resolveu, por conta própria, reduzir o tamanho para 30 metros... na época houve polêmica, mas o fato é que o lobby papeleiro conseguiu convencer a legislação, e o padrão agora são os tais 30 metros, sendo que quando você encontra um papel de 50 metros, observa que ele é "tamanho econômico" e paga mais por ele...
Sem tanta polêmica, já faz algum tempo que os fabricantes de leite em pó, ao menos os mais conhecidos, resolveram diminuir o conteúdo de suas latas ou pacotes em 100mg. O leite Molico era vendido em latas de 400g, e hoje só é encontrado em latas de 300g, bem como seus concorrentes, Itambé, La Serenissima, e outros. Ah, sim, o preço do leite disparou nos últimos 4 anos, de centavos de real para, em alguns casos, 2 reais - o leite longa vida, porque o em pó saiu de menos de 4 reais para 7, 8, 9 reais...
Exemplos como esses pululam nos supermercados. E quando não somos roubados no peso, somos enganados com produtos que substituem seus ingredientes por outros de qualidade inferior. Ou então suas versões Light, que chegam a custar simplesmente o dobro do valor, somente porque foi retirado gordura e inserido um espessante. É claro, além dos lights, tem os orgânicos... Domingo li na Folha de São Paulo a ótima frase: "Produtos com a palavra "orgânico" na embalagem têm mais interesse no seu dinheiro do que na sua saúde", da Psicanalista inglesa Susie Orbach, em uma entrevista sobre bulimia. Somos alvo, o tempo todo, de apelos que nos façam gastar um pouco mais, por menos. Saber disso transforma você em um consumidor mais consciente. Mas isso não basta. Nos acostumamos a ver como "chato" aquele que vai atrás dos seus direitos. Aquele que questiona. Em 2007, estive em Buenos Aires, e li um jornal de uma semana antes, com destaque para uma matéria que dizia que pessoas haviam ido às ruas protestar contra o aumento do preço do tomate. E olha que o tomate lá, mesmo com aumento, era muito mais barato que nosso tomate aqui. Pergunto: Você se vê indo à Avenida Paulista protestar contra o aumento de qualquer produto, por mais querido e necessário que este seja para você? Você se vê boicotando indefinidamente um produto, porque ele tem um preço abusivo? Mas quando o posto da rua de baixo cobra 10 centavos a menos o litro de álcool você vai lá, certo? Talvez porque esse tipo de protesto não exponha você nem aquilo que apresenta à mesa,,,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Filtros Europa: Troca na Base da Porrada


Outro dia, após uma amiga vir em casa e comentar que a água estava com gosto de cloro, resolvi ceder às investidas do telemarketing ativo de um representante dos filtros Europa, para um "teste grátis da qualidade da água". Mesmo porque, conforme informava uma etiqueta no produto, meu filtro estava vencido, tinha validade de um ano e já fazia 2 que eu o havia comprado. Então, agendei uma visita.
O "técnico" chegou com postura altiva e iniciou o teste. Não analisou a água como eu esperava. Ao invés disso, retirou o filtro de carvão do aparelho e segurou-o com uma mão. Com a outra, pegou uma pesada chave de boca e, sem dó nem piedade, começou a bater na peça, que só não desmontou porque é revestida por uma capa plástica. Incrédulo, perguntei ao homem o que ele achava que estava fazendo, e ele respondeu: "só estou soltando a sujeira, um momentinho que o senhor vai ver", e , na sequência, colocou a peça no aparelho e ligou a torneira. Obviamente, a água saiu imunda... eu não podia acreditar no que os meus olhos viam! O cara deliberadamente quebrou meu filtro que, por mais usado e vencido que estivesse era MEU e estava NA MINHA CASA! Eu gritei, falei que era óbvio que a água estava suja, uma vez que ele havia transformado em pó pedaços de carvão ativado... Dai, por curiosidade, perguntei o preço: 150 reais. Disse que não, enxotei o "amigo" de casa e fui num revendedor Europa na Av. DOmingos de Morais. Comprei a peça por cerca de 78 reais, troquei, e funciona. Mesmo assim, senti saudades do tempo em que o filtro era de barro, e bastava lavar para ficar novo, e os prazos de validade da nossa vida eram mais longos, mesmo que morressemos mais por isso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pra que serve o Facebook mesmo?


Ontem eu li, na revista exame, um dado que me deixou pasmo: as pessoas gastam cerca de seis vezes mais tempo no Facebook que no Google. Bem, eu uso o google quase como o "HAL", de 2001 - uma odisséia no espaço", de Stanley Kubric. O Google sabe onde está a informação, ou aponta a desinformação. Eu pesquiso tudo, obtenho diversas respostas e escolho a que me parece ser a mais correta - dai porque Google não é HAL, quem decide é o homem, não a máquina. Pesquiso palavras, ortografia, sinônimos, busco imagens de tudo, busco vídeos, me divirto, choro. O Google é vida. No Facebook, eu encontro amigos. Ok, isso é ótimo sempre, mas eu já fazia isso no Orkut, e poderia ter feito isso em qualquer outra rede social. Ocorre que todos preferiram o Facebook. Por que? Minha desconfiança é a seguinte: além da interface muito amigável, principalmente para a faixa etária acima de 35 anos, o que prende essa galera ao Facebook é.. a Fazendinha... falando sério, nada mais explica o tempo gasto em uma rede social ser tão grande senão os joguinhos integrados ao Facebook, games simples e cujo apelo é a interatividade e não gráficos pesados e rápidos demais para a média da minha geração. Nasci em 1970, caro leitor. Portanto, assisti ao engatinhar da internet. Não me pergunte o que fazíamos antes, pois ou não me lembro ou não quero contar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Encantador Profissional

Outro dia, assistindo ao impagável "Men of a Certain Age", no 10º episódio, o personagem vivido por Scott Bakula, Terry, um ator que não se deu bem na profissão e que trabalha em um escritório de contabilidade, tem um insight, e diz aos amigos Owen (Andre Braugher), um pai de família às voltas com problemas com o pai e a posição que ocupa em sua revenda de automóveis, e Joe, recém-separado e apostador inverterado (Ray Romano), que a única coisa que sabe fazer direito é ser um "encantador profissional", um cara de que todos gostam, mas talvez não levem tanto a sério... é claaaro que me identifiquei na hora... Terry pergunta, retoricamente: "O que faz da vida um 'encantador profissional'?" e, na cena seguinte, Owen o apresenta à equipe de vendas da revenda de automóveis, como o "novo cara".
É isso, somos melhores ou piores na arte de "encantar aos outros com a nossa presença, convencendo-os de algo". Somos vendedores de nós mesmos. Quando dizemos "ah, não quero me envolver com x", onde x é igual a política, ou o condomínio, ou a diretoria, ou a presidência, ou qualquer outro ambiente que nos exponha e coloque à prova nossa capacidade de negociar, de convencer, de co-mover, dizemos que "não temos o perfil", Ainda assim, somos animais sociais.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Ópio do Povo


Futebol. Palavra que desperta paixões absurdas, provoca rivalidades incompreensíveis, causa abandono de lares. Quarta-feira e seus rojões, ensurdecedores, mas principalmente chatos. E o fanatismo dos Americanos é o cristianismo, dos árabes é o islão, e do Brasileiro é o futebol. Que é mal jogado, mal escalado, mal resolvido. E todo bom boleiro tem sua fórmula, "se fosse eu, colocaria o Xisto... tá batendo um bolão!!!"Publicar postagem
O fato incontestável é que o futebol tira a atenção de muita gente da própria vida, dos próprios problemas. Sonhar com o futebol, discutir o dinheiro que o jogador ganha, as mulheres que sobram, a pobreza de onde ele veio, as oportunidades de gol que perdeu - é tudo um grande sedativo, um jeitinho de ter menos contato com sua própria vida. E é assim que o ser humano suporta ser, se não é futebol é o crime do dia, se não é a novela. Agora tem a internet, as mensagens e as conexões medindo quão amada a pessoa é, qual o tamanho do seu sex appeal, medidas insólitas para um ser que pode um pouco mais do que isso. Eu sei, eu sou chato pacas, o chato de plantão.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Produto Candidato


Não compro. Até voto. Mas não compro. Afinal, um político é um cardume, você acha que está falando com um deles, mas se ele diz "eu" quer dizer "nós", se ele diz "sim" quer dizer "quem sabe", e se diz "não", entenda "depende". Essa é a democracia representativa, aparentemente a melhor das opções políticas inventadas pelo homem, ao menos assim acreditam alguns.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mais Razão e Menos Ração Humana

Assim é a mente publicitária... depois da dieta mágica de Beverly Hills, da dieta da "só carne", da dieta da lua, dos líquidos, da USP, e tantas outras, agora é a vez da dita "Ração Humana", uma mistura de grãos e outras coisas ditas saudáveis que estão invadindo programas de tv, revistas de "saúde" e outros buracos quetais. Impressionante como a mentalidade de manada da classe média ainda enriquece alguns, com suas modas passageiras e superficiais.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Pequeno Herói dentro de Nós


De repente, todas as séries da tv e filmes que assisti recentemente falam sobre homens de meia idade, suas crises profissionais, amorosas, seus relacionamentos tumultuados com filhos adolescentes. Eu penso que mudei de nicho, estou em outro mercado. Ainda não compro fraldas geriátricas, mas faz tempo que não sei o preço de uma fralda convencional descartável. Se fosse um cara extremamente bem sucedido, provavelmente me inebriaria por propaganda de carros que me deixassem mais jovem e atraente, e gastaria fortunas com home theaters e mais eletrônicos. Porém, sou do tipo subversivo, gosto de desafiar a ordem pré-estabelecida, tenho prazer nisso porque fui criado assim. Destruir a ordem, a velha imagem do cavaleiro errante, o Dom Quixote dentro de cada Bad Boy, cada homem de Marlboro, cada Herói que necessita chegar ao fundo para subir. Me pergunto do que sou feito, e do que são feitos os outros, aqueles que não vivem o mito do herói no seu dia a dia. Dai me dou conta de que não existem "os outros", todo mundo se vê como herói, a nossa TV interna exibe um filme que somente cada um de nós pode ver. Podemos até inferir como seria o filme do outro, mas é só inferência, é só uma suposição que sofre interferência de nosso sistema individual de valores. Todos acreditamos que somos heróis de nossas próprias histórias, personagens poderosos de nosso videoclipe interno.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Humor do Montador

Filha deixando a infância, fizemos algumas mudanças no seu quarto. Móvel comprado, agendamos com o montador da loja, que viria 7/7, "preferencialmente" no período da manhã . Obviamente, meio dia e nada de montagem. Liguei para o SAC, me garantiram que viriam naquele dia sem falta. 19h e nada de montagem, ligo para o SAC de novo: "só um instante que estou verificando com o meu supervisor... meu supervisor não conseguiu falar com o montador, ok para o senhor dia 8/7?" Eu tento explicar para o atendente que o dia era hoje e não amanhã, que uma pessoa perdeu o dia de trabalho porque ficou esperando que o móvel fosse montado... e peço pelo amor de Deus que ele me garanta que o montador dará prioridade para mim, no dia de amanhã. O atendente diz: "Senhor, não posso garantir o horário que ele estará ai, mas será amanhã sem falta". Hum... então os caras marcam o dia 7/7, pela manhã, não conseguem cumprir, e além de tudo não me garantem que farão o serviço no dia 8/7 com prioridade? E se todos os móveis que eles tiverem para montar dia 8/7 forem em Santana, Limão, Luz, Bom retiro, Mandaqui, Brás, Vila Maria, Vila Guilherme, e somente o móvel da minha filha for fora da rota deles, aqui na Vila Mariana, eles vão vir pra cá primeiro ou por último? Na qualidade do atendimento, quem é priorizado? O Cliente ou a rota logisticamente planejada?
Mas, na verdade, o meu medo era que o SAC resolvesse obrigar o montador a se dirigir a minha casa após as 18:30h, sabe-se lá partindo de onde. Imagino o cara chegando, um dia inteiro sem nada dar certo na sua rota, possivelmente porque a sua agenda tinha mais compromissos do que seria humanamente possível cumprir; imagine o cara com um mal humor do cão, montando o móvel até altas horas... o quanto esse humor comprometeria a qualidade da montagem? Que fique para o dia seguinte...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não às propagandas de pasta de dentes

Odeio... dentes azuis de tão brancos, depoimentos cretinos, "o meu dentista falou que existem 12 problemas bucais"... imagino o brainstorming dos publicitários tentado transformar os mesmos problemas dentais de sempre (placa, gengivite, cárie, etc. em DOZE problemas bucais)... e aquele da família feliz, orgulhosa do seu sorriso? E a equipe de dentistas de jaleco, como se fossem os super-heróis da dentição... AHHH, me poupe, eu já tive dentistas bons, que salvaram e recuperaram grandes erros feitos na minha boca por dentistas ruins - uns tão caros quanto os outros...

domingo, 2 de maio de 2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A morte do e-mail

Minha filha quase não usa seu e-mail. Mas usa o computador todos os dias, e se comunica sempre com suas colegas de escola. Mais do que se comunicar, minha filha está on line, conectada o tempo todo. O e-mail morreu, ou então está agonizando...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Somos de Verdade?

Quanto mais perto da verdade, menos certezas. Entrego minha vida a um remédio que foi aprovado por todos os FDAs, Anvisas e afins dos 5 continentes, e após 10 ou mais anos de uso indiscriminado, ele é proibido. Troco de adoçante por que o anterior dá cancer, mas agora o atual dá esquizofrenia e o próximo é inóquo, tanto quanto a última droga da moda. Presenteio meus neurônios com mais remédios de potência controlada, que prometem realidade, foco, visão e adequação a um mundo nada confiável. Um remédio que me traz para mais perto de uma linha de comportamento médio, dentro de uma satisfação média. Uma dieta, um exercício, um show imperdível, um game revolucionário, um video necessário, uma informação vital, que perderá a vida no próximo segundo, suplantada por seu substituto mais apto. Dessa forma, somos todos iguais, e todos, igualmente, daremos nosso lugar, nossas coisas, tudo o que um dia achamos de fato possuir, aos que nascem, hoje, amanhã e depois. Que dirá esse post, impresso em luzes e cores, tão fugaz que não alimentará nem a uma traça.