quarta-feira, 13 de abril de 2011

Saudades do Futuro


Já sinto saudades dos anos 2000. Não da década de 2000-2010, eu falo da imagem que tínhamos do que seriam os anos 2000 na minha infância e adolescência. Muito se falava da Era de Aquário, e de um período no qual a intuição seria mais forte que a razão cartesiana que moveu máquinas e tanques no milênio anterior. Imaginávamos o mundo de compreensão e justiça que motivou as lutas dos anos 60 e 70. Os seres humanos se libertariam de suas amarras psicológicas, de seu comportamento tradicional e nada espontâneo... E o homem seria uma fonte de paz e tolerãncia...
Sim, erramos feio. O Ser humano deu até uma piorada, as novas gerações se esqueceram de toda a consciência (?) adquirida pelas anteriores, e nossos filhos nem fazem ideia de nada do que houve nos anos 70, além da boa música, repetida, regravada e remixada hoje à exaustão. Os EUA fazem uma guerra do Vietnã a cada nova gestão, Democrática ou Republicana. Nossos heróis morreram de overdose ou perderam a ideologia, e o mundo vende a mãe fabricada na China e pode até entregar...
E eu sinto saudades dos anos 2000 de Carl Sagan, da cura do câncer pela descoberta do genoma humano, dos carros voadores dos Jettsons, da pesquisa pacífica de Jornada nas Estrelas, de Imagine de John Lennon, da Odisseia no Espaço... isso pra não falar dos políticos... O futuro não é mais como era antigamente...

domingo, 10 de abril de 2011

Nível do mar não sobe com o derretimento de geleiras


Bem, quem afirmou isso foi um bando de físicos amigos meus... Vamos ver se sei replicar os principais argumentos deles aqui.
Pense o seguinte: as geleiras, icebergs e afins, boiando no mar, continuam no mar, derretidos ou não, e o nível da água não vai se alterar só porque parte dela degelou-se, talvez haja uma imperceptível variação na densidade da água salgada, pelo acréscimo de água doce, mas nada significativo. É o mesmo que um copo com gelo, se o gelo derrete ou não, o nível de bebida se mantém.
Já as geleiras continentais, essas poderiam até elevar um pouco, mas seria mínimo... imagine um cubo de gelo amarrado em uma bola de futebol. O volume do cubo seria o equivalente a vários everests, feitos somente de gelo. Supondo que, ao tornar-se líquido, esse gelo não pingasse, mas aderisse à superfície da bola. A água resultante desse degelo seria distribuída ao redor da bola, por igual, aumentando muito pouco, quase nada, a área da superfície. O mesmo ocorre com a Terra e o degelo. Não há elevação do mar significativa, a água que se origina de degelo escorre para o mar, talvez um aquecimento possa evaporar uma parte, e a gravidade mantém essa massa presa à Terra.

É claro que isso não significa que o clima não mude. A variação do clima sempre ocorreu, faz parte da manutenção do equilíbrio no nosso planeta, que vem alternando períodos de glaciação e degelo ao longo de seus milhares de anos. E isso também não significa que o homem não tenha responsabilidades perante a forma como explora os recursos do planeta. Mas separar o joio do trigo é sempre uma atitude necessária para que nosso comportamento fuja do da manada.

sexta-feira, 18 de março de 2011

W x VW



Sempre me incomodou a semelhança...




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ecochics and the fake woods


A "Madeira de Demolição" ganhou todas as lojas de móveis de São Paulo... todas fabricam móveis novos com cara de velhos e rústicos, revestidos de papel que imitam ranhuras e apodrecimento, feitos de pinus como sempre, ou mdf, ou aglomerado, mas com cara de casa na árvore... móveis, assim como pisos, assim como paredes... Enquanto isso, o metro quadrado da madeira de demolição está mais caras do que o metro quadrado de bons pedaços de terra rural cheia de árvores... e no Embu das Artes, já há muito tempo que enterram moveis novos inteiros para que ganhem aspecto de velhos... é o simulacro do ecológico, aparência de correto, todos querem ser sustentáveis e eco-chics, será que isso se sustenta?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Consciência Pesada de Consumo

O que é "Consumo Consciente"? Alguns acham que esse termo só tem a ver com consumir produtos de origens confiáveis, socialmente responsáveis, ambientalmente responsáveis... Acho que é um pouco mais. É não depositar sua felicidade em uma ação de consumo. É não menosprezar um aumento de preços, como se fizesse parte da vida. É quebrar a equação preço alto=qualidade alta. Ainda, é parar de achar que porque você paga o preço alto, significa que a sua visão de mundo é melhor do que a dos outros. É parar de aceitar que aquele biscoito mudou de gosto, provavelmente porque a empresa que o fabricava substituiu os ingredientes por outros mais baratos. Ser consciente é parar de aceitar que a marca se sustenta sozinha, e que o design vale sempre mais que sua função (o design é sim uma arte, já a reprodução ad infinitum desse design, e a megavalorização dessa reprodução, eu penso que não).

Hoje somos fascinados por pequenas lojas virtuais, os smartphones. O custo de produção desses aparelhos gira em torno de US$ 100 ou menos. No Brasil, pagamos dez ou mais vezes o custo de produção de um smartphone, enquanto que nos EUA se paga cerca de 4 vezes. Além do preço do Smartphone, pagamos o plano de minutos + pacote de internet. E ainda pagamos para fazer download de aplicativos nas lojas específicas de nosso Smartphone... onde está a consciência desse consumo?

Esse assunto poderia se estender ainda mais. Por exemplo, os cartões de débito e crédito da atualidade transformaram os bancos em sócios de todas as operações financeiras que ocorrem no mundo... além de pagar uma TAXA para poder usar a máquina de crédito e débito, o comerciante ainda paga um PERCENTUAL de sua venda ao banco... e, é claro, repassa esse custo para o cliente... imagine hoje você recebendo de volta 2 ou 3 % de todas as operações que você efetuou com cartões de débito e crédito desde que esse sistema existe. É muito? Ok, imagine-se recebendo de volta "apenas" 1% .

Ainda deveria falar do governo e seus impostos de mais de 50% sobre tantas coisas... mas me calo e deixo o caso dos tomates argentinos como o exemplo a ser seguido: Em 2007 os tomates em Buenos Aires estavam pela hora da morte. A população se mobilizou e boicotou o tomate por um curto período, até que... o preço caiu... Imaginam um paulistano orgulhoso boicotando qualquer coisa? Eu não. E anteontem estive em um Pão de Açucar, e o quilo do tomate tinha saltado de 3,50 para mais de 6 reais... Fiquem com o link de um blog que conta a Guerra dos Tomates: http://blog.pucp.edu.pe/item/15338/el-poder-de-los-consumidores-la-guerra-del-tomate-en-argentina

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um ambiente de desconfiança

Recentemente iniciei uma nova empreitada em minha vida. Trabalho há cerca de 6 meses como corretor de imóveis. Isso foi o desenrolar de um processo que vem de uma decisão tomada depois de uma experiência corporativa que gerou muitos traumas, algumas felicidades sim, mas muito mais dissabores, pesando ambos na balança. A decisão foi trabalhar por conta própria. Há 6 meses adicionei uma frase à tal decisão, trabalhar por conta própria, não importa em que ramo. O ramo que se ofereceu para mim foi o imobiliário, e até o momento a brincadeira está parecendo bem interessante.
O assunto já gerou discussões entre amigos corporativos, que eu chamo provocativamente de "institucionalizados" (do filme "Um sonho de liberdade" - Andy (Tim Robbins) e Red (Morgan Freeman) estão no pátio da prisão conversando sobre a vida do lado de fora daqueles muros. Andy havia sido jogado ali vinte anos atrás por um crime que não cometera enquanto Red se aproximava do trigésimo aniversário de seu encarceramento. Ao ouvir o amigo admitir que estava “institucionalizado” e que temia não mais saber viver como um homem livre, Andy lhe diz: “A vida se resume em uma única escolha: ocupar-se de morrer, ou ocupar-se de viver”).
Sinceramente, não é fácil viver fora de uma estrutura que dê a você um budget, uma tarefa e um salário no fim do mês. Você vira chefe de você mesmo, e vira seu próprio financeiro, marketing, vendas, contas a pagar (urgh)... Além disso, prestadores de serviços muitas vezes acabam sendo vistos e usados pelos contratadores como uma espécie de funcionário de quem podem exigir muito e dar o mínimo. Por mais que suas lindas políticas digam o contrário.
O mundo das Imobiliárias e Corretores é um ambiente hostil em diversos aspectos. Convive-se com todo o tipo de gente, com histórias de vida variadas, ex-empresários, viúvas, falidos, vendedores profissionais, formados, não formados, jovens, velhos, ricos, pobres. Todos vão ensinar a você uma receita de como se vender um imóvel. Nesses poucos meses, apesar da inexperiência, eu já vendi algumas coisas, mas não posso dizer que sei 100% do que me fez atingir esses resultados. Algo de sorte, o cliente certo no momento em que você tem o imóvel certo... É claro que "ter o imóvel" requer trabalho, muita pesquisa, muitos telefonemas, visitas, fotos... enfim, dedicação. Dedicação é a chave de qualquer coisa que você realmente queira fazer.
O que é admirável, espantoso de fato, é o ambiente de desconfiança. Amigos são raros, muitos passam a perna em você sem pensar, o dinheiro é sempre a desculpa que, aparentemente, tenta justificar a falta de ética. Na verdade, nada diferente das grandes corporações e suas famosas puxadas de tapete, talvez um pouco mais explícito.
Eu já fui comprador e vendedor de imóveis próprios, e sei como é estar na posição de cliente. Espero nunca me esquecer. Quando iniciei na consultoria imobiliária percebi as dificuldades da brincadeira. Não basta ter a informação de que tal imóvel está à venda. É necessário verificar, ligar para o proprietário, perguntar se os dados que você tem estão corretos, se ele abaixa o preço, se aceita financiamento... é necessário ir ao imóvel, ver como está, tirar fotos, lidar com zeladores e porteiros que querem ser agraciados pelo favor de terem estado lá durante a venda. É necessário atender os clientes, cada um com uma necessidade diferente,,, Além disso, há a informática, os anúncios de web, o sistema, etc. acabou gerando problemas que não existiam. Por exemplo, atualizar anúncios. Hoje o cliente que quer comprar um apartamento e consulta o zap, pode encontrar o mesmo imóvel em 4 imobiliárias diferentes com preços diferentes, e o que é pior, correndo grande risco desse produto já ter sido vendido. Anúncios em web são uma grande ferramenta, mas necessitam de revisão constante. Tenho colegas que não sabem o que é uma pasta no windows, ou não percebem quando estão em um micro com ambiente windows ou linux. Além disso, o celular é considerado apenas um fone móvel, mas seu potencial como computador pessoal ainda é ignorado.
O que quero dizer é que o mercado imobiliário brasileiro tem muito a crescer ainda, porém precisará investir em um item básico, que é a fidelização de corretores e clientes, pessoas que vistam a camisa de sua agência, e clientes que percebam de fato que há diferença entre esta e aquela imobiliária. Dai sim, cresceremos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O que é Diversidade para você?


Quando ouvimos a palavra "Diversidade", é comum nos lembramos de gays, lésbicas, pessoas com alguma deficiência, talvez um ou outro até se lembre de estrangeiros e religiões. Ontém fomos convidados, eu e vários amigos, a um aniversário, em uma pequena casa noturna chamada Blue Velvet, na rua Bela Cintra, em São Paulo. A casa estava lotada de público "Diverso", porém nosso amigo Cabelo foi de shorts (quem conhece o Cabelo já sabe de que short estou falando) e foi barrado. Motivo: Algo como "Dress Code". Falamos com o gerente, argumentamos que havia meninas de shorts, dissemos que várias pessoas naquela noite não retornariam ao local, e ele disse simplesmente que não se importava, e que era norma da casa. Dissemos também que o barrado no baile era um professor de universidade federal. Nada sensibilizou o gerente. A norma é clara: Sem homens de shorts na Blue Velvet. A diversidade para esse gerente está limitada a um código restrito que informa o quanto ele pode tolerar daquilo que foge do convencional. Cabelo usa short e dá aulas de sociologia na noite paulistana. É uma pena que a Blue Velvet não esteja preparada para ele.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Estar na Moda



A coisa menos compreensível para mim é a necessidade de se estar na moda. Alguém dita uma paleta de cores em meia dúzia de revistas, e o ano se pinta daquela cor. Parece que este ano de 2011 quem vai mandar é o amarelo. Eu já vi o verde limão e o abóbora serem cores da moda. Já vi calça rasgada estar na moda. Já vi jovens sírios de uma aldeia onde a luz elétrica chegou em 1980 brigarem por um maço de Marlboro, um relógio seiko ou uma playboy - principalmente pela playboy.
É difícil entender o fascínio que a estética ocidental causa no mundo, e quando digo estética, quero dizer modo de vida, valores, cores, gostos, ideais afetivos, trabalho. Fora do ocidente, ainda tem muita gente querendo "Fazer a América". Dentro dos países ocidentais, estar na moda é sinônimo de ascensão/status social.
Dentro de um grupo social, existem códigos que identificam os seus. Baladas que frequentam, clubes de que são sócios, escolas pelas quais passaram, carros que dirigem bairros em que moram, locais onde passam férias, marcas que usam, marcas que compram, marcas com que presenteiam, marcas que comem... dentro de cada grupo social, existe o bom e o ruim, normalmente definidos pelo quanto foi pago. E esse "quanto" representa "qualidade" dentro do tal grupo, mesmo que o conteúdo do que foi comprado seja o mesmo de um similar barato.
A moda pode representar a renovação e alegria, mas penso que acaba significando a padronização e a morte da criatividade. Carregamos no peito marcas que representam medalhas, mostrando ao mundo, na nossa visão ou na dos outros, alguns supostos méritos ou deméritos.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Verdadeiro Espírito do Natal

Usei isso como foto do perfil no facebook neste último Natal... não é demais? Por trás desse raciocínio estão as maiores barbaridades e bobeiras humanas... jóias e roupas para conquistar as mulheres, brinquedos que tornam crianças em mini adultos... carros caros, grandes, maiores, mais caros, mais novos, ressexualizando os homens... presentear é bom, ganhar presentes é ótimo. Mas a obrigação da troca amor dinheiro <> MAIS dinheiro, Mais amor, é vil. É pequena, diminui os homens e mulheres às condições de produtores e consumidores, reduz o afeto ao suprimento de carências na forma de coisas, é tudo o que vemos nos filmes de natal, a grande dúvida, o papai noel existe ou não, o espírito natalino existe ou não? Devemos ser crédulos em um mundo melhor ou devemos meter a faca por trás para servir de degrau para subirmos e pisarmos na cabeça? Estou sendo muito rude? A Rudeza é uma franqueza que não nos convém...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quem são as Meninas Más do Disney Channel?


Muitas vezes eu duvidei da sanidade mental desses autores de filmes e séries infantis, com seus eternos conflitos de populares x nerds, bonitos x feios, etc. Sempre achei absurdamente maniquieísta, exagerado. A menina má, que quer ser a mais popular, que se move somente por esse motivo, que passa por tudo e todos para chegar onde quer. Você, ser humano razoável, brasileiro, acha que é coisa de norte- americanos... Mas no filme repara que os pais do herói, normalmente um nerd ou alguém "normal" porém menos preocupado com popularidade, são também pessoas quase "normais", desencanadas... O que os filminhos não contam direito é que, no futuro, quem se dará melhor na vida será o obstinado, o obcecado pelos seus objetivos. Os razoáveis são moderados demais para o padrão de ganhos que o mercado exige. E, da mesma forma, existem sim, crianças extremamente competitivas e com padrões éticos bem diferentes dos seus, estudando na mesma escola de seus filhos. Essas crianças podem ser filhas e filhos de mães e pais competitivos ao extremo, dotados de padrões éticos bem diferentes dos seus. Por mais filmes que o Disney Channel passe sobre o tema, o intuito é preservar esse conflito. O mocinho do filme não fica tranquilo, na sua. Ao invés disso, ganha mais popularidade que o obstinado, ele se dá bem em detrimento do outro. O Filminho ensina uma moral, mas não a moral da paz, e sim a da guerra, alguém precisa perder para que outro ganhe.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Papéis Pequenos para quem transpira...


A publicidade sabe ser má. Não por estimular o consumo, pois é sua função, mas sim pelos recursos de que lança mão para atingir seus objetivos. A campanha do desodorante Rexona (transpiramos pelas mesmas coisas), que tem como protagonista a atriz Camila Pitanga, me parece apelar para certa caricatura de mulher. Destruir a casa para achar um brinco faz da mulher um ser extremado, passional até a burrice. Em outro vídeo mais recente, a mesma atriz diz que, quando "transpirava demais", só recebia "papéis curtos". Me pergunto se não é uma amarga verdade, "transpiramos pelas mesmas coisas", mas devemos nos controlar para receber "papéis mais longos", como um bom trabalho ou um namoro duradouro.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Juntos?


É inevitável, nesta época de Natal, passear na Paulista e admirar as decorações. É um passeio que fazemos todos os anos, em especial minha mãe e minha filha, que vão juntas admirar as decoraç Domingo fomos à Paulista, e qual não foi nossa surpresa ao reparar na agência do Santander-Real completamente apagada. Achei muito estranho, pois o Santander já participa com a SPtur de diversas decorações de Natal em em São Paulo. Fui atrás e descobri que, em 2009, após a aquisição do Banco Real, o Santander vendeu o edifício da Av. Paulista. Mesmo assim, imagino o quanto custou convencer todos os clientes do Real de que o Santander seria uma continuidade, e de repente um marketing tão simples e tão importante quanto uma decoração de Natal, tão cheia de simbolismos e significados otimistas em relação ao futuro, enfraquecem uma campanha milionária como a do "Juntos".

sábado, 4 de dezembro de 2010

Customer Experience Management


O Boteco do seu Jeremias vai entrar em reforma. O seu filho Tobias, estudado e com atuação em diversas empresas de produtos de consumo, aconselhou o pai a promover mudanças. Segundo Tobias, não bastava mais os clientes irem ao bar do seu Jeremias, beber cerveja e comer torresmo. O consumidor tinha que viver uma experiência única, prime, personalité. Costumer Experience era tudo o que o bar precisava fazer para atrair os novos moradores endinheirados da vila piriuna, ex-favela e ex-pântano que agora estava repleto de arranha-céus, ou "torres", como se dizia agora, com apartamentos que eram um misto de clube e moradia. Apartamentos que propiciavam customer experience.

Para o bar do seu Jeremias se adequar, Tobias tinha contratado um arquiteto, que planejara modificações totais no ambiente: No lugar do balcão de inox, um belo balcão de madeira, como os pubs londrinos. A Cafeteira de filtro de pano daria lugar ao modelo Newspresso franchising, ideal para bares da moda, com suas cápsulas de titnânio recicláveis pela própria Newspresso; O bar substituiria os velhos azulejos brancos amarelados por azulejos brancos vintage, que davam a clara impressão ao cliente de ter sido levado a um boteco do início do século XX. Seu Jeremias protestou um pouco com relação a essas alterações, pois alegava que seus velhos azulejos estavam em bom estado e eram de fato do início do século XX. Seu Jeremias também não se conformou com a perda da cafeteira de filtro, pois o custo do café da Newspresso era absurdamente superior. Tobias o tranquilizou, dizendo que sabia o que estava fazendo.

No dia da inauguração, pessoas do bairro todo vieram, o bar ficou lotado, meninas de minissaia com a camiseta de uma cervejaria famosa circulavam oferecendo degustação de sua nova cerveja antirressaca, que na fórmula já vinha com engov, eno e losna. Todos estavam felizes, menos seu Jeremias. Ele descobriu que não poderia manter os velhos funcionários do Bar, pois seu filho havia contratado uma equipe com chefs, subchefs, maitres, connoisseurs, concierges e garçonetes de pouca roupa. Também não poderia mais entrar na cozinha para fazer um dos pratos do dia que ele mais sabia fazer, a Rabada com Agrião de toda 3a feira. Por último, o que mais doeu ao velho dono de bar foi ter que dizer ao pessoal da roda de samba que não haveria mais lugar pra eles, que o bar agora era chique. Seu Jeremias, porém, prometeu que conseguiria dar um jeito de eles se reunirem em seu bar de novo, o que eles aceitaram sem acreditar muito.

O Bar Reformado do seu Jeremias durou um ano e fechou. Não por falta de competência do pessoal contratado, nem pelo equipamento renovado, nem nada. Apenas porque, na rua de trás do bar do seu Jeremias abriram um boteco tradicional, com comida de boteco tradicional, onde a velha roda de samba aparecia aos finais de semana para encher de alegria a vizinhança - inclusive muitos dos endinheirados novos moradores da Vila Piriuna, que desciam de suas torres para degustar a maravilhosa Rabada com Agrião que lá era servida todos os dias, além de outras iguarias. Era o novo bar velho do Seu Jeremias. Ele havia comprado o bar do seu Antônio, que se aposentara e não tinha filhos, e deixara o bar antigo para o Tobias brincar de patrão. Tobias errou não em querer criar uma Consumer Experience, mas sim em não aproveitar a experiência de seu pai em um negócio que ele dominava, e em não descobrir (pelo contrário, supor que sabia!), qual Experience seus Customers queriam viver.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

E-Mail Marketing Acertando em Cheio


Será que o e-mail marketing não aberto contém mesmo uma mensagem? Ou, a exemplo de uma pedra à beira de um penhasco, ele possui uma comunicação potencial mas não cinética? A palavra não dita é mera intenção, e das boas o inferno está cheio. O e-mail marketing não lido é comunicação perdida. Medir um e-mail marketing implica em saber quantos atingiram o alvo ou não, mas entende-se por alvo a caixa de entrada, e não o usuário leitor. Um sistema de webmails que permitisse propagandas inteligentes poderia ser a saída para o que hoje é apenas sorte, aumentando assim o grau de acerto na comunicação com o cliente. Ainda não inventaram, mas fica aqui a ideia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Do Mesmo Saco

imagem: Folha de São Paulo
Brigando com amigos, ou mesmo apenas discutindo bairristicamente, a verdade que se apresenta é a mesma: Os partidos que disputam a presidência da república em 2010, e os partidos que vêm em sua cola na forma de coligações, são os mesmos. O Espírito do brasileiro que vota por favores ainda predomina. O Espírito dos candidatos que se oferecem às urnas é o de pretendentes a um emprego assalariado com 4 anos de duração ou mais. A vergonha de nos vangloriarmos de um óbvio ululante como o ficha limpa é muito triste - como se não fosse o mínimo exigir que um suspeito, que está sendo investigado, se mantivesse afastado dos processos eleitorais, coisa que o nosso ficha limpa ainda não conseguiu.
Quem quer que leve a disputa no domingo que vem dará continuidade aos projetos do governo Lula. Quem quer que assuma em 01/01/2011 fará os próximos quatro anos serem emenda natural dos últimos oito, nas alegrias e tristezas, nos acertos e corrupções. No máximo, veremos alteração no dono da bola, em uma partida onde todos poderão jogar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Rainha do Baile de Formatura


Somos, nós brasileiros, compulsivos importadores de cultura. De massas. Não em refiro aos "enlatados" americanos, termo que fazia alusão às latas usadas para guardar os rolos de filmes destinados à projeção em cinemas, mas que remetia pejorativamente aos enlatados de supermercados. Também não estou falando da cultura corporativa, com seus jargões quase todos em inglês (vide post anterior, Business Bingo Generator). Falo de nossas crianças. Quem não quer ter crianças como consumidores fiéis de seus produtos? Que delícia saber que uma mulher de 40 anos se consola por ser abandonada pelo namorado com a mesma marca de sorvete que seu pai deu para ela após sua operação de amídalas... As crianças são o futuro, vamos acompanhar sua trajetória, adequando produtos conforme os baixinhos vão crescendo... se seu filho não quer mais levar Chocolate de caixinha de lanche, vamos comprar para ele o maxi chocoo radical, com a foto de um garoto e seu skate maneiríssimo em uma garrafa que custa o quadruplo da outra embalagem, e com um produto com gosto de tudo, menos de leite com chocolate...
Assim vamos aprendendo com as propagandas, filmes, séries... aprendemos piadas, cinísmo e que garotas de 12 anos já são mocinhas que se apaixonam uma vez por dia. Aprendemos que sempre existirá uma Rainha do Baile de Formatura, uma garota pop que se esforça dia e noite para ser o centro das atenções, apoiada pelos pais, professores e pelas "melhores amigas", e que seu objetivo último na vida é se sentir superior às demais. Os garotos, por sua vez, descobrirão que seu cacoete de timidez virará charme, que contar piadas faz as meninas rirem, que todos gostam de um cara "safo", "esperto", mesmo que isso lhe custe um ano letivo ou algumas repreendas. Esse cara não é o rebelde, não é o marginal, ele é o padrão. Essa menina não tem problemas de exibicionismo e insegurança, ela simplesmente está desempenhando o papel esperado por sua família. O Resto, com "R", é isso mesmo, aqueles que não fizeram tanto sucesso, não marcaram mais presença, se referem a si mesmos como "menos do que". Amanhã, enquanto os "safos" atropelam motoboys, suas esposas buscam admiradores que as façam sentir como da primeira vez, a emoção prometida pelo esforço repetitivo, além da tendinite. Não sei se fui claro, duvido na verdade, prometo melhorar na próxima. Stay tuned and stay clear!

domingo, 12 de setembro de 2010

Business Bingo Generator

Eu já recebi esse e-mail várias vezes... e sempre me diverti com a ideia de anotar os jargões corporativos enquanto eram proferidos... mas agora, a evoulção: Um site gerador de cartelas ... Supimpa!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lado A Disco 2

Havia um programa na MTV da década de 90 chamado "Lado B", comandado pelo conhecedor Fábio Massari, cujo assunto eram músicas menos conhecidas dos álbuns lançados. Falo dos álbuns de vinil, os Long Plays ou Bolachas que, diferentemente dos cds, tinham dois lados. Via de regra, as músicas mais comerciais estavam do "Lado A" dos LPs. Massari garimpava faixas menos óbvias, e sempre apresentava coisas muito boas, muitas vezes de bandas aparentemente óbvias.
Bem, como isto aqui é um blog de consumo, e como sou um consumidor de certa idade, digo que sinto saudades de virar o disco. Não me entendam mal, adoro meus mp3, acho que o futuro é digital, mas se a analogia de "virar o disco" foi morta pelo cd, o mp3 jogou a ideia de "obra" com começo, meio e fim de uma "coleção" de músicas e fragmentou. E eu gostava muito de curtir um álbum inteiro, ou suas metades. Por exemplo, The Wall, do Pink Floyd. Amo a obra, tanto sonora quanto o filme, quanto o encarte, quanto as letras desesperadamente escritas e os desenhos lisérgicos. Mas, o que me toca no álbum, originalmente duplo, é o Lado A do Disco 2... Iphones e mp3 players podem ter tornado todas as obras musicais da humanidade abertas a qualquer um que queira criar sua própria sequência. Mas poderiam vir com um botão "author´s preferred sequence" ou coisa que o valesse...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Roubando no Peso


Antigamente o quitandeiro desonesto era aquele que roubava no peso. Ok, caro jovem leitor, quitanda era uma vendinha que tinha verduras, frutas, grãos, e, se bobear, servia café, bebidas alcoólicas e lanches. Com o advento da globalização, os supermercados menores foram absorvidos pelos maiores, e o quitandeiro foi fazer outra coisa da vida.
No entanto, ainda existe um monte de gente que "rouba no peso", de maneiras sutis. Por exemplo, o papel higiênico. Há 10 anos atrás, o tamanho padrão de um rolo era 50 metros. Daí, um grupo de produtores de papel "tissue" resolveu, por conta própria, reduzir o tamanho para 30 metros... na época houve polêmica, mas o fato é que o lobby papeleiro conseguiu convencer a legislação, e o padrão agora são os tais 30 metros, sendo que quando você encontra um papel de 50 metros, observa que ele é "tamanho econômico" e paga mais por ele...
Sem tanta polêmica, já faz algum tempo que os fabricantes de leite em pó, ao menos os mais conhecidos, resolveram diminuir o conteúdo de suas latas ou pacotes em 100mg. O leite Molico era vendido em latas de 400g, e hoje só é encontrado em latas de 300g, bem como seus concorrentes, Itambé, La Serenissima, e outros. Ah, sim, o preço do leite disparou nos últimos 4 anos, de centavos de real para, em alguns casos, 2 reais - o leite longa vida, porque o em pó saiu de menos de 4 reais para 7, 8, 9 reais...
Exemplos como esses pululam nos supermercados. E quando não somos roubados no peso, somos enganados com produtos que substituem seus ingredientes por outros de qualidade inferior. Ou então suas versões Light, que chegam a custar simplesmente o dobro do valor, somente porque foi retirado gordura e inserido um espessante. É claro, além dos lights, tem os orgânicos... Domingo li na Folha de São Paulo a ótima frase: "Produtos com a palavra "orgânico" na embalagem têm mais interesse no seu dinheiro do que na sua saúde", da Psicanalista inglesa Susie Orbach, em uma entrevista sobre bulimia. Somos alvo, o tempo todo, de apelos que nos façam gastar um pouco mais, por menos. Saber disso transforma você em um consumidor mais consciente. Mas isso não basta. Nos acostumamos a ver como "chato" aquele que vai atrás dos seus direitos. Aquele que questiona. Em 2007, estive em Buenos Aires, e li um jornal de uma semana antes, com destaque para uma matéria que dizia que pessoas haviam ido às ruas protestar contra o aumento do preço do tomate. E olha que o tomate lá, mesmo com aumento, era muito mais barato que nosso tomate aqui. Pergunto: Você se vê indo à Avenida Paulista protestar contra o aumento de qualquer produto, por mais querido e necessário que este seja para você? Você se vê boicotando indefinidamente um produto, porque ele tem um preço abusivo? Mas quando o posto da rua de baixo cobra 10 centavos a menos o litro de álcool você vai lá, certo? Talvez porque esse tipo de protesto não exponha você nem aquilo que apresenta à mesa,,,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Filtros Europa: Troca na Base da Porrada


Outro dia, após uma amiga vir em casa e comentar que a água estava com gosto de cloro, resolvi ceder às investidas do telemarketing ativo de um representante dos filtros Europa, para um "teste grátis da qualidade da água". Mesmo porque, conforme informava uma etiqueta no produto, meu filtro estava vencido, tinha validade de um ano e já fazia 2 que eu o havia comprado. Então, agendei uma visita.
O "técnico" chegou com postura altiva e iniciou o teste. Não analisou a água como eu esperava. Ao invés disso, retirou o filtro de carvão do aparelho e segurou-o com uma mão. Com a outra, pegou uma pesada chave de boca e, sem dó nem piedade, começou a bater na peça, que só não desmontou porque é revestida por uma capa plástica. Incrédulo, perguntei ao homem o que ele achava que estava fazendo, e ele respondeu: "só estou soltando a sujeira, um momentinho que o senhor vai ver", e , na sequência, colocou a peça no aparelho e ligou a torneira. Obviamente, a água saiu imunda... eu não podia acreditar no que os meus olhos viam! O cara deliberadamente quebrou meu filtro que, por mais usado e vencido que estivesse era MEU e estava NA MINHA CASA! Eu gritei, falei que era óbvio que a água estava suja, uma vez que ele havia transformado em pó pedaços de carvão ativado... Dai, por curiosidade, perguntei o preço: 150 reais. Disse que não, enxotei o "amigo" de casa e fui num revendedor Europa na Av. DOmingos de Morais. Comprei a peça por cerca de 78 reais, troquei, e funciona. Mesmo assim, senti saudades do tempo em que o filtro era de barro, e bastava lavar para ficar novo, e os prazos de validade da nossa vida eram mais longos, mesmo que morressemos mais por isso.