Bem, como isto aqui é um blog de consumo, e como sou um consumidor de certa idade, digo que sinto saudades de virar o disco. Não me entendam mal, adoro meus mp3, acho que o futuro é digital, mas se a analogia de "virar o disco" foi morta pelo cd, o mp3 jogou a ideia de "obra" com começo, meio e fim de uma "coleção" de músicas e fragmentou. E eu gostava muito de curtir um álbum inteiro, ou suas metades. Por exemplo, The Wall, do Pink Floyd. Amo a obra, tanto sonora quanto o filme, quanto o encarte, quanto as letras desesperadamente escritas e os desenhos lisérgicos. Mas, o que me toca no álbum, originalmente duplo, é o Lado A do Disco 2... Iphones e mp3 players podem ter tornado todas as obras musicais da humanidade abertas a qualquer um que queira criar sua própria sequência. Mas poderiam vir com um botão "author´s preferred sequence" ou coisa que o valesse...
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Lado A Disco 2
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Roubando no Peso

Antigamente o quitandeiro desonesto era aquele que roubava no peso. Ok, caro jovem leitor, quitanda era uma vendinha que tinha verduras, frutas, grãos, e, se bobear, servia café, bebidas alcoólicas e lanches. Com o advento da globalização, os supermercados menores foram absorvidos pelos maiores, e o quitandeiro foi fazer outra coisa da vida.
No entanto, ainda existe um monte de gente que "rouba no peso", de maneiras sutis. Por exemplo, o papel higiênico. Há 10 anos atrás, o tamanho padrão de um rolo era 50 metros. Daí, um grupo de produtores de papel "tissue" resolveu, por conta própria, reduzir o tamanho para 30 metros... na época houve polêmica, mas o fato é que o lobby papeleiro conseguiu convencer a legislação, e o padrão agora são os tais 30 metros, sendo que quando você encontra um papel de 50 metros, observa que ele é "tamanho econômico" e paga mais por ele...
Sem tanta polêmica, já faz algum tempo que os fabricantes de leite em pó, ao menos os mais conhecidos, resolveram diminuir o conteúdo de suas latas ou pacotes em 100mg. O leite Molico era vendido em latas de 400g, e hoje só é encontrado em latas de 300g, bem como seus concorrentes, Itambé, La Serenissima, e outros. Ah, sim, o preço do leite disparou nos últimos 4 anos, de centavos de real para, em alguns casos, 2 reais - o leite longa vida, porque o em pó saiu de menos de 4 reais para 7, 8, 9 reais...
Exemplos como esses pululam nos supermercados. E quando não somos roubados no peso, somos enganados com produtos que substituem seus ingredientes por outros de qualidade inferior. Ou então suas versões Light, que chegam a custar simplesmente o dobro do valor, somente porque foi retirado gordura e inserido um espessante. É claro, além dos lights, tem os orgânicos... Domingo li na Folha de São Paulo a ótima frase: "Produtos com a palavra "orgânico" na embalagem têm mais interesse no seu dinheiro do que na sua saúde", da Psicanalista inglesa Susie Orbach, em uma entrevista sobre bulimia. Somos alvo, o tempo todo, de apelos que nos façam gastar um pouco mais, por menos. Saber disso transforma você em um consumidor mais consciente. Mas isso não basta. Nos acostumamos a ver como "chato" aquele que vai atrás dos seus direitos. Aquele que questiona. Em 2007, estive em Buenos Aires, e li um jornal de uma semana antes, com destaque para uma matéria que dizia que pessoas haviam ido às ruas protestar contra o aumento do preço do tomate. E olha que o tomate lá, mesmo com aumento, era muito mais barato que nosso tomate aqui. Pergunto: Você se vê indo à Avenida Paulista protestar contra o aumento de qualquer produto, por mais querido e necessário que este seja para você? Você se vê boicotando indefinidamente um produto, porque ele tem um preço abusivo? Mas quando o posto da rua de baixo cobra 10 centavos a menos o litro de álcool você vai lá, certo? Talvez porque esse tipo de protesto não exponha você nem aquilo que apresenta à mesa,,,
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Filtros Europa: Troca na Base da Porrada

O "técnico" chegou com postura altiva e iniciou o teste. Não analisou a água como eu esperava. Ao invés disso, retirou o filtro de carvão do aparelho e segurou-o com uma mão. Com a outra, pegou uma pesada chave de boca e, sem dó nem piedade, começou a bater na peça, que só não desmontou porque é revestida por uma capa plástica. Incrédulo, perguntei ao homem o que ele achava que estava fazendo, e ele respondeu: "só estou soltando a sujeira, um momentinho que o senhor vai ver", e , na sequência, colocou a peça no aparelho e ligou a torneira. Obviamente, a água saiu imunda... eu não podia acreditar no que os meus olhos viam! O cara deliberadamente quebrou meu filtro que, por mais usado e vencido que estivesse era MEU e estava NA MINHA CASA! Eu gritei, falei que era óbvio que a água estava suja, uma vez que ele havia transformado em pó pedaços de carvão ativado... Dai, por curiosidade, perguntei o preço: 150 reais. Disse que não, enxotei o "amigo" de casa e fui num revendedor Europa na Av. DOmingos de Morais. Comprei a peça por cerca de 78 reais, troquei, e funciona. Mesmo assim, senti saudades do tempo em que o filtro era de barro, e bastava lavar para ficar novo, e os prazos de validade da nossa vida eram mais longos, mesmo que morressemos mais por isso.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Pra que serve o Facebook mesmo?

Ontem eu li, na revista exame, um dado que me deixou pasmo: as pessoas gastam cerca de seis vezes mais tempo no Facebook que no Google. Bem, eu uso o google quase como o "HAL", de 2001 - uma odisséia no espaço", de Stanley Kubric. O Google sabe onde está a informação, ou aponta a desinformação. Eu pesquiso tudo, obtenho diversas respostas e escolho a que me parece ser a mais correta - dai porque Google não é HAL, quem decide é o homem, não a máquina. Pesquiso palavras, ortografia, sinônimos, busco imagens de tudo, busco vídeos, me divirto, choro. O Google é vida. No Facebook, eu encontro amigos. Ok, isso é ótimo sempre, mas eu já fazia isso no Orkut, e poderia ter feito isso em qualquer outra rede social. Ocorre que todos preferiram o Facebook. Por que? Minha desconfiança é a seguinte: além da interface muito amigável, principalmente para a faixa etária acima de 35 anos, o que prende essa galera ao Facebook é.. a Fazendinha... falando sério, nada mais explica o tempo gasto em uma rede social ser tão grande senão os joguinhos integrados ao Facebook, games simples e cujo apelo é a interatividade e não gráficos pesados e rápidos demais para a média da minha geração. Nasci em 1970, caro leitor. Portanto, assisti ao engatinhar da internet. Não me pergunte o que fazíamos antes, pois ou não me lembro ou não quero contar.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Encantador Profissional
Outro dia, assistindo ao impagável "Men of a Certain Age", no 10º episódio, o personagem vivido por Scott Bakula, Terry, um ator que não se deu bem na profissão e que trabalha em um escritório de contabilidade, tem um insight, e diz aos amigos Owen (Andre Braugher), um pai de família às voltas com problemas com o pai e a posição que ocupa em sua revenda de automóveis, e Joe, recém-separado e apostador inverterado (Ray Romano), que a única coisa que sabe fazer direito é ser um "encantador profissional", um cara de que todos gostam, mas talvez não levem tanto a sério... é claaaro que me identifiquei na hora... Terry pergunta, retoricamente: "O que faz da vida um 'encantador profissional'?" e, na cena seguinte, Owen o apresenta à equipe de vendas da revenda de automóveis, como o "novo cara".
É isso, somos melhores ou piores na arte de "encantar aos outros com a nossa presença, convencendo-os de algo". Somos vendedores de nós mesmos. Quando dizemos "ah, não quero me envolver com x", onde x é igual a política, ou o condomínio, ou a diretoria, ou a presidência, ou qualquer outro ambiente que nos exponha e coloque à prova nossa capacidade de negociar, de convencer, de co-mover, dizemos que "não temos o perfil", Ainda assim, somos animais sociais.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O Ópio do Povo

Futebol. Palavra que desperta paixões absurdas, provoca rivalidades incompreensíveis, causa abandono de lares. Quarta-feira e seus rojões, ensurdecedores, mas principalmente chatos. E o fanatismo dos Americanos é o cristianismo, dos árabes é o islão, e do Brasileiro é o futebol. Que é mal jogado, mal escalado, mal resolvido. E todo bom boleiro tem sua fórmula, "se fosse eu, colocaria o Xisto... tá batendo um bolão!!!"Publicar postagem
O fato incontestável é que o futebol tira a atenção de muita gente da própria vida, dos próprios problemas. Sonhar com o futebol, discutir o dinheiro que o jogador ganha, as mulheres que sobram, a pobreza de onde ele veio, as oportunidades de gol que perdeu - é tudo um grande sedativo, um jeitinho de ter menos contato com sua própria vida. E é assim que o ser humano suporta ser, se não é futebol é o crime do dia, se não é a novela. Agora tem a internet, as mensagens e as conexões medindo quão amada a pessoa é, qual o tamanho do seu sex appeal, medidas insólitas para um ser que pode um pouco mais do que isso. Eu sei, eu sou chato pacas, o chato de plantão.
domingo, 1 de agosto de 2010
O Produto Candidato

Não compro. Até voto. Mas não compro. Afinal, um político é um cardume, você acha que está falando com um deles, mas se ele diz "eu" quer dizer "nós", se ele diz "sim" quer dizer "quem sabe", e se diz "não", entenda "depende". Essa é a democracia representativa, aparentemente a melhor das opções políticas inventadas pelo homem, ao menos assim acreditam alguns.
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